sábado, 13 de abril de 2013

Um otimo filme "Conflito das Águas" (También La Lluvia) com Gael Garcia Bernal...


Dica de filme: Conflito das águas

“Conflito das águas” mescla o passado e o presente, 
documentando com lirismo uma dura realidade,
 recorrente em diversos níveis na América Latina. 
É a atitude colonizadora que se renova ao longo da história.

FONTE: Carolina Maria Ruy

Conflito das águas (También La Lluvia)
Espanha, 2010
Iciar Bollain
Com: Gael Garcia Bernal, Luis Tosar, 
Karra Elejalde, Carlos Santos, Raúl Arévalo, 
Juan Carlos Aduviri

Um ambicioso projeto une o cético e pragmático 
produtor de cinema Costa e o jovem idealista 
cineasta Sebastián: apresentar Cristóvão Colombo 
como um homem obcecado pelo ouro, caçador de 
escravos e repressor dos índios na colonização espanhola da América.
 Mas, devido ao baixo orçamento disponível a equipe espanhola 
decide se instalar em terras bolivianas, onde o custo para a filmagem 
é mais baixo, e a população indígena, com potencial para figuração 
e até mesmo atuação no filme, é abundante.
Coincidências à parte, Cochabamba, a terceira maior cidade da 
Bolívia, onde o filme é rodado, foi fundada pelos colonizadores 
espanhóis em 1571 com o nome de "Villa de Oropeza".

Logo no início a fila da população local para uma colocação no filme 
impressiona e mostra que os dois países, Espanha e Bolívia, 
mesmo depois de quinhentos anos de história ainda carregam 
enormes contrastes sociais.
A grande fila de possíveis figurantes ilustra a carência da população
 local, que está ali em busca de algum trabalho.
O que move aqueles indígenas, ou descendentes de indígenas, 
não é um idealismo abstrato nascido das teorias da história ocidental. 
O que os move e os une é a urgência do suprimento de necessidades 
imediatas.
O conflito então, se estabelece entre a liturgia de criar uma obra
 cinematográfica de cunho critico e sociológico, e o movimento 
desesperado de uma população carente pelo simples acesso à agua.

Isso porque naquele momento Cochabamba está às voltas 
com o processo de privatização de todo o sistema hídrico 
a uma multinacional estadunidense. Trata-se de um episódio 
real, que ocorreu em Cochabamba (Bolívia) em abril de 2000. 
Os protestos de trabalhadores, as greves e manifestações 
deixaram a cidade de Cochabamba ilhada durante muitos 
dias, depois que a companhia norte-americana Bechtel 
tentou subir de maneira abusiva o preço da água. A dimensão 
do protesto foi tanta que a empresa abandonou o mercado 
boliviano, o contrato da água foi cancelado e foi instalada 
uma nova companhia sob o controle público.
Desta forma, o filme mescla diferentes tempos, o passado 
e o presente, documentando com lirismo a dura realidade 
das privatizações de setores estratégicos, que prejudica a 
população mais carente, recorrente na América Latina, 
sobretudo até o início dos anos 2000.

O choque cultural entre a equipe europeia de filmagem e o 
ambiente rústico e quente boliviano marca o filme. 
A atitude dos mais eloquentes jovens brancos e cheio
 de ideais diante da Guerra das Águas expõe a hipocrisia 
do discurso pretensamente engajado. Por outro lado 
há aqueles que surpreendem com uma atitude proativa, 
solidaria e humanitária quando expostos a tais desafios. 
Fica a questão: a obsessão pelas riquezas naturais, 
coerção de povos com outras culturas e o espirito 
colonizador são pilares de uma mentalidade de quinhentos 
anos atrás ou ainda presentes na Europa Ocidental?
_________________________

Carolina Maria Ruy
 é jornalista, coordenadora de projetos do 
Centro de Memória Sindical

http://www.fsindical.org.br/portal/filmes.php?id_con=22991

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Algo a dizer?